CREA Geral

MATÉRIA TÉCNICA – ACIDENTES DE TRABALHO, UM MAL QUE, AINDA NOS TEMPOS ATUAIS, ACARRETA VÁRIAS VITIMAS NO BRASIL

Elaborado por: Rodrigo José Landroni dos Reis

CREA-SP: 5070042829 Eng. Eletricista e de Segurança do Trabalho

 

APOIO:

ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS, ARQUITETOS E AGRÔNOMOS DE CRUZEIRO

CREA SP

De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, somente no ano de 2019, houveram 582.507 acidentes de trabalho, uma redução de 0,60% em relação a 2018. Sendo desses acidentes, 2.184 acidentes fatais, um aumento de 2,44% na letalidade em relação ao mesmo período em 2018 (Fiocruz 2021).

Na década de 70, com o aumento vertiginoso do preço do petróleo, o mundo encontrou-se em uma crise financeira, sendo o Brasil, com economia dependente do petróleo, um país que sentiu fortemente os efeitos da crise. Em apenas cinco meses, entre outubro de 1973 e março de 1974, o preço do petróleo aumentou 400%, causando reflexos poderosos nos Estados Unidos e na Europa e desestabilizando a economia por todo o mundo. (Infoescola 2022). Ademais, na década de 70, o país já era assolado por um alto índice de acidentes do trabalho, criando um alto custo previdenciário e para o sistema de saúde, que aliados aos efeitos da crise econômica, aumentaram os gastos governamentais e diminuíram as receitas. Para mitigar esses custos, o governo federal criou através de lei, como a 6.514/77 que assentava novas diretrizes para a área de segurança do trabalho, e o decreto 3.214/78 que instituiu as Normas Regulamentadoras, que tem por objetivo nortear empregadores e empregados no quesito de segurança do ambiente de trabalho.

A NR-1, Disposições Gerais, e NR-9, Avaliação E Controle Das Exposições Ocupacionais a Agentes Físicos, Químicos e Biológicos, determina um plano para avaliar, quantificar e propor maneiras para que os riscos sejam mitigados. Esse programa é o PGR, Programa de Gerenciamento de Riscos, em vigência desde 3 de janeiro de 2022, que substituiu o antigo PPRA, Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.  O PGR tem por finalidade realizar uma análise quantitativa e qualitativa dos riscos ao quais os trabalhadores estão expostos no ambiente de trabalho e propor medidas para sua eliminação ou medidas para proteger os trabalhadores dos riscos presentes, por meio da utilização de Equipamentos de Proteção coletiva ou Individuais, EPCs e EPIs, respectivamente.

Um grande risco, que apesar das normas de segurança e normas técnicas existentes, acomete muitas vidas é a eletricidade. A eletricidade está ao nosso redor, sendo uma fonte de risco que não percebemos até sofrer uma descarga elétrica. Visto que um sistema energizado não se mostra energizado, não há sinal nem aviso.

Em 2018, foram registrados 1.424 acidentes com origem elétrica em todo o país, sendo 836 choques, 537 incêndios por sobrecarga ou curto-circuito e 51 descargas atmosféricas (raios). Isso representou um aumento de 2,67% em comparação ao ano anterior e de 37,2% em relação a 2013, início da série histórica. Totalizando somente em 2018, acidentes envolvendo eletricidade, acarretaram em 662 mortes (EBC 2019).

No mês de março de 2022, um eletricista morreu após sofrer uma descarga elétrica durante a instalação de equipamentos eletrônicos no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), O homem colocava cancelas eletrônicas no estacionamento externo do prédio quando ocorreu o acidente. De acordo com o Tribunal, a vítima utilizava todos os equipamentos de proteção individual (EPI) no momento da eletrocussão (iBahia 2022)

De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, somente no ano de 2019, houveram 582.507 acidentes de trabalho, uma redução de 0,60% em relação a 2018. Sendo desses acidentes, 2.184 acidentes fatais, um aumento de 2,44% na letalidade em relação ao mesmo período em 2018 (Fiocruz 2021).

Na década de 70, com o aumento vertiginoso do preço do petróleo, o mundo encontrou-se em uma crise financeira, sendo o Brasil, com economia dependente do petróleo, um país que sentiu fortemente os efeitos da crise. Em apenas cinco meses, entre outubro de 1973 e março de 1974, o preço do petróleo aumentou 400%, causando reflexos poderosos nos Estados Unidos e na Europa e desestabilizando a economia por todo o mundo. (Infoescola 2022). Ademais, na década de 70, o país já era assolado por um alto índice de acidentes do trabalho, criando um alto custo previdenciário e para o sistema de saúde, que aliados aos efeitos da crise econômica, aumentaram os gastos governamentais e diminuíram as receitas. Para mitigar esses custos, o governo federal criou através de lei, como a 6.514/77 que assentava novas diretrizes para a área de segurança do trabalho, e o decreto 3.214/78 que instituiu as Normas Regulamentadoras, que tem por objetivo nortear empregadores e empregados no quesito de segurança do ambiente de trabalho.

A NR-1, Disposições Gerais, e NR-9, Avaliação E Controle Das Exposições Ocupacionais a Agentes Físicos, Químicos e Biológicos, determina um plano para avaliar, quantificar e propor maneiras para que os riscos sejam mitigados. Esse programa é o PGR, Programa de Gerenciamento de Riscos, em vigência desde 3 de janeiro de 2022, que substituiu o antigo PPRA, Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.  O PGR tem por finalidade realizar uma análise quantitativa e qualitativa dos riscos ao quais os trabalhadores estão expostos no ambiente de trabalho e propor medidas para sua eliminação ou medidas para proteger os trabalhadores dos riscos presentes, por meio da utilização de Equipamentos de Proteção coletiva ou Individuais, EPCs e EPIs, respectivamente.

Um grande risco, que apesar das normas de segurança e normas técnicas existentes, acomete muitas vidas é a eletricidade. A eletricidade está ao nosso redor, sendo uma fonte de risco que não percebemos até sofrer uma descarga elétrica. Visto que um sistema energizado não se mostra energizado, não há sinal nem aviso.

Em 2018, foram registrados 1.424 acidentes com origem elétrica em todo o país, sendo 836 choques, 537 incêndios por sobrecarga ou curto-circuito e 51 descargas atmosféricas (raios). Isso representou um aumento de 2,67% em comparação ao ano anterior e de 37,2% em relação a 2013, início da série histórica. Totalizando somente em 2018, acidentes envolvendo eletricidade, acarretaram em 662 mortes (EBC 2019).

No mês de março de 2022, um eletricista morreu após sofrer uma descarga elétrica durante a instalação de equipamentos eletrônicos no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), O homem colocava cancelas eletrônicas no estacionamento externo do prédio quando ocorreu o acidente. De acordo com o Tribunal, a vítima utilizava todos os equipamentos de proteção individual (EPI) no momento da eletrocussão (iBahia 2022).

Imagem 1 – ilustrativa

 Fonte: Canva  Imagens

Notícias como essa, infelizmente, são comuns e em sua maioria das vezes, possuindo desfechos lamentáveis. A fim de evitar os acidentes envolvendo eletricidade, foi postulada em 1978 a NR-10, que trata sobre requisitos e condições mínimas para segurança em instalações elétricas e serviços envolvendo eletricidade.

A NR-10, Norma Regulamentadora nº 10 estabelece os requisitos e condições mínimas objetivando a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que, direta ou indiretamente, interajam em instalações elétricas e serviços com eletricidade (MTE 2019).

Um fator que pode, muitas vezes, agravar a eletrocussão é o caminho pela qual a corrente elétrica percorre o corpo.

Figura 1 – Caminho da Corrente Elétrica

Fonte: (Fórum da Construção 2022)

De acordo com a 1ª Lei de Ohm:

Onde:

V → Diferença de Potencial, medida em Volts (V)
R → Resistência do circuito, medida em Ohms (Ω)
I → Corrente elétrica, medida em Ampères (A)

A fim de reduzir a corrente elétrica, tender ela a zero, uma saída é aumentar a resistência entre a terra e a parte energizada.

Algumas maneiras encontradas para reduzir a resistência de contato:

  • Aumentar a resistência do solo

Em subestações de energia, de alta tensão (compreendidas entre 39kV e 230kV) e extra alta tensão (maiores que 230kV), é comum a instalação de britas na superfície, a fim de escoar água, evitando alagamentos na área da subestação e aumentar a resistência de contato com o solo. Em subestações de média tensão (compreendidas entes 1kV e 39kV), é comum utilizar um estrado de borracha, a fim de realizar o seccionamento da cabine, ademais com os EPIs da área.

  • Aumentar a resistência entre o operador e o solo

EPIs, quando fabricados de acordo com as normas técnicas pertinentes oferecem uma alta resistência, atenuando a corrente elétrica.

  • Aumentar a resistência de contato do operador com o meio energizado.

Ao aumentar a resistência de contato, a corrente irá diminuir. Um exemplo, muito comum antigamente, era colocar uma capa de borracha, geralmente bexiga, no registro do chuveiro, quando o mesmo apresentava baixa isolação e ocorria descarga elétrica ao ligar ou desliga-lo.

  • Aterramento de partes metálicas

O aterramento das massas metálicas, uma das maneiras mais eficazes de proteção, visa deixar todos as massas metálicas, com o mesmo potencial da terra, ou seja, 0 Volts. Quando ocorrer uma energização acidental para a massa, a mesma irá, pelo aterramento apresentar uma baixa resistência, fugir para a terra, evitando assim que caso alguém tenha contato com as partes energizadas, não sofram eletrocussão.

  • Seccionamento automático

A fim de se evitar choques elétricos, a maneira mais segura, ademais o aterramento, é o seccionamento do setor que ocorre a fuga de corrente por meio de Interruptores Diferenciais Residuais ou Disjuntores Diferenciais Residuais.

Os IDRs ou DDRs monitoram o circuito e ao sentirem fuga de corrente para a terra, interrompem o circuito, atenuando o choque elétrico. Os IDRs possuem capacidade de interrupção em dois níveis, 30mA e 300mA.

Em suma, ademais às Normas pertinentes às instalações é obrigatório, por conta da Portaria 3.214/78, que instituiu as Normas Regulamentadoras, o treinamento específico para realizar intervenções em sistemas elétricos, recomenda-se a instituição de campanhas informativas, palestras e durante a reciclagem do treinamento, apresentar os funcionários aos riscos que se encontram expostos, a fim de conscientiza-los a prevenção de acidentes.

O CREA-SP reforça a necessidade de que em todas as fases de um projeto e execução de serviço técnico, haja um profissional responsável legalmente habilitado, o mesmo sendo o responsável legal pela obra irá zelar pelo cumprimento das normas técnicas pertinentes, Normas Regulamentadoras e, principalmente, zelar pela segurança de todos os envolvidos nos processos, desde o desenvolvimento de projeto, até a sua utilização. Os profissionais irão prever os perigos e propor maneiras de mitiga-los, antes que possam se tornar um risco à saúde de alguma pessoa ou risco ao ambiente. A existência de ART (anotação de resp. técnica) é indispensável em toda atividade de prestação de serviço técnico.

Bibliografia

EBC. EBC. 2019. https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-05/acidentes-com-origem-eletrica-causaram-622-mortes-em-2018 (acesso em 24 de 03 de 2022).

Fiocruz. Fiocruz. 2021. http://www.cesteh.ensp.fiocruz.br/noticias/previdencia-social-divulga-ultimas-estatisticas-de-acidentes-de-trabalho#:~:text=Após%20o%20aumento%20de%205,2.184%20(2%2C44%25). (acesso em 24 de 03 de 2022).

Forum da Construção. Fórum da Construção. 2022. http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=28&Cod=1550 (acesso em 24 de 03 de 2022).

G1. G1. 2022. https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2022/03/01/turista-mineira-morre-apos-sofrer-descarga-eletrica-no-sul-da-bahia.ghtml (acesso em 24 de 03 de 2022).

iBahia. iBahia. 2022. https://www.ibahia.com/salvador/detalhe/noticia/eletricista-e-eletrocutado-durante-prestacao-de-servico-no-tj-ba/ (acesso em 24 de 03 de 2022).

Infoescola. Infoescola. 2022. https://www.infoescola.com/economia/crise-do-petroleo/ (acesso em 24 de 03 de 2022).

MTE. “NR-10.” 31 de 07 de 2019. https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-10.pdf (acesso em 24 de 03 de 2022)

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